sábado, 19 de setembro de 2009

Acabas de chegar da melancólica existência em que mergulhaste desde que assassinaste a felicidade. A tua, e a de quem mais te amava.
Dás três ou quatro voltas à fechadura que tanto odeias, por te separar do mundo. Foste tu que preferiste assim. Agora olha em volta; admira o vazio em que transformaste a tua vida.
O vazio de amor, de alegria, de risadas, de conforto.
O teu quarto está precisamente como o abandonei; de almofadas desarrumadas pelo chão e lençóis consumidos de prazer. Talvez ainda mais, pelas tuas peripécias de fim-de-semana.
Ouves o futuro passar-te na janela com um sorriso promissor, perdeste a pouca força que tinhas para o alcançar.
Lembraste da última vez que (me) amaste? Da última vez que ofereceste a alguém uma gargalhada que te lavasse o fumo do fundo dos pulmões? Da última vez que abriste a porta e do outro lado estava um sorriso para te abraçar?
Andas sozinho, à deriva por este mar gigantesco e repleto de trilhos. Pára de empurrar todos os que te estendem a mão. A vida é muito mais que isto, um emaranhado de recordações coladas a fita-cola em portas de roupeiros.
Não morras sozinho, no vazio em que transformaste a tua vida.

1 comentário:

fiazovsky disse...

Os teus textos dao cabo de mim, miuda! :)